Qual é a hora de buscar ajuda Psicológica?

A Persistência da Memória: quadro do pintor surrealista Salvador Dalí em 1931.
Reconheci que precisava de Psicoterapia por volta dos meus 16 anos. Meus pais não se entendiam, as brigas eram diárias e as cenas de violência verbal, psicológica e física se repetiam diante dos meus olhos.
Na adolescência, me sentia uma pessoa solitária. Meus pais não compreendiam minhas emoções e carências. Passei a tentar me relacionar, fazer parte de um grupo onde encontrei apenas drogas, um cara que abusou sexualmente de mim em uma festa em que eu já não tinha mais consciência de quem era, e sentia ainda mais solidão, apesar da presença de todos.
Veio a separação dos meus pais. Minha mãe sem condições financeiras e emocionais de prover meu sustento, me enviou para a casa dos meus tios em outro estado. Lá, encontrei novamente o que já conhecia: a solidão, a indiferença, e o abuso sexual, dessa vez, vindo de alguém que admirava.
Sequei minhas lágrimas com o cansaço do trabalho. Via que somente meu próprio esforço e aplicação nos estudos poderiam me levar a conquistar a liberdade financeira e emocional, uma vez que não havia quem lutasse por mim.
Conheci um garoto que parecia ser o amor que a vida me presenteava como consolação por anos de sofrimento. Com o tempo, passei a não poder ser mais quem eu era: as roupas que gostava, maquiagens, assessórios, locais que costumava frequentar, nada mais era permitido pela figura que dizia sempre que seu maior defeito era “me amar demais”.
Sofri por anos nessa relação de abuso... passei a não reconhecer mais o que eu era e o que eram as cobranças e restrições dele. Consegui romper com a relação após oito anos de intenso sofrimento.
Reconstruí tudo do zero, pois na partilha de bens, nada me sobrou. Admito que não quis lutar pelos bens materiais, queria algo maior (a minha libertação).
Hoje, busco psicoterapia por incentivo dos meus amigos. Não estou acostumada a falar de mim, do meu passado. Tentei, de alguma forma, enterrar tudo isso. Estou acostumada a enfrentar tudo sozinha, mas compreendi, a duras penas, que nem sempre é possível superar traumas sozinha... por isso eu vim.
Prazer, Doutor!
O relato é fictício, mas seu conteúdo é habitual. Psicoterapia para apoio emocional é necessário e não reduz a capacidade de enfrentamento que temos. Ocorre que, muitas vezes, os problemas são maiores e, por esse motivo, precisamos de mais ferramentas para combatê-los, além de nosso próprio esforço.
A combinação de vivências traumáticas não elaboradas com os novos problemas que surgem no cotidiano, muitas vezes, são a fonte do adoecimento emocional e físico.
Lembrar nos faz reviver, isso é um fato. Essa possibilidade nos afasta de procurarmos ajuda especializada para lidar com nosso passado.
A tentativa de “enterrar” lembranças é infrutífera por um motivo claro: enterramos lembranças vivas, e se estão vivas, insistirão em ressurgir em nossas vidas.
Acredite, elas sempre voltam!
Por essa razão, é fundamental retomarmos o passado, não com o impacto da vivência original, mas com o cuidado, apoio, acompanhamento e orientação do profissional que lhe guiará nesse processo.
Dê-se a chance de esvaziar-se do que tem acumulado em sua história!
Um grande abraço,
William Vinicius de Sousa – Psicólogo Clínico e Hospitalar: 06/103810
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